Introdução ao Idra Zuta

Existem muitas partes deste artigo que podem ser difíceis de entender para alguém que é novo na Kabbalah ou no Zohar. Tornar-se-á mais claro e mais importante para a sua alma quanto mais ler e reler.

O aniversário da morte do Rabino Shimon Bar Yochai cai no Lag B’Omer, ou no trigésimo terceiro dia do Omer. Não é um simples feriado; é um dia em que os portões dos Céus estão abertos. Faça um esforço para celebrar esta noite e dia com pessoas com a mesma consciência.

O seguinte artigo não é de leitura fácil. Em conjunto com o Idra Zuta está o melhor caminho para estabelecer a ligação com o Lag B’Omer. Leia e partilhe este documento com todos os seus amigos. Leiam-no e estudem-no juntos.

O Idra Zuta, que significa pequena assembleia, é uma secção do Zohar que se encontra dentro da porção de Ha’azinu. Escrevi um comentário ao Ha’azinu no ano passado e comecei a revelação da ligação entre o R. Shimon, Moshe, Ha’azinu e o Idra Zuta.

Escrevi nesse artigo:

“O parshá foi considerado como a canção de Moisés. Foi escrito na Torah de uma forma muito particular e com um estilo diferente. Toda a canção foi escrita em duas colunas especiais, onde cada qual está dividida em duas, o que dá quatro colunas de texto.
Antes da canção começar temos 6 linhas regulares de texto da Torah, depois 35 linhas que se dividem em duas colunas. Na coluna seguinte da Torah temos a imagem inversa: 35 linhas divididas em duas colunas e depois 6 linhas regulares.
Acredito que um matemático encontrará muitos segredos apenas a partir deste arranjo único do parsha. A Kabbalah vê-o como os dois triângulos que compõem a Estrela de David. 70 + 70 linhas da canção ou 35×4.
Este arranjo também se parece a duas portas, uma abrindo para o céu e outra abrindo para a terra.
No topo da coluna, que discutimos na semana passada, temos a letra Alef que deu origem a Moisés, que a manteve como a chave para se mover entre os mundos através das portas que ele na realidade criou para nós.
A letra Alef é descrita no Sefer Yetzirah (Livro da Formação) como uma letra Mãe, juntamente com a Mem e a Shin.
No parsha encontramos uma palavra muito particular da língua Hebraica, que tem apenas uma letra, a letra/palavra ‘He’. Aparece como uma letra grande, que significa que se liga ao nível de Binah. O leitor da Torah deverá lê-la como uma palavra separada e não ligá-la à palavra seguinte como se faz normalmente.
Esta letra aparece duas vezes do Tetragrama, uma vez para Binah e a outra para Malchut. Aqui nos contam como Moisés estabeleceu a ligação entre o superior e o inferior. No princípio dos cânticos, ele estava a chamar sobre os céus e a terra para ouvir e através disso criou os portões necessários para nós e para si próprio. Como já expliquei em comentários anteriores, ele voltará. Ele tem a chave e os portões.
O último ponto que gostaria de partilhar convosco é que na porção do Zohar de Haazinu encontramos uma secção especial chamada ‘Idra Zuta’. Nesta parte, o R. Shimon revelou os segredos de Zer Anpin (as seis sefirot de Chessed, Gevurah, Tiferet, Netzach, Hod e Yesod) e a ligação ao Tikkun final. É também no Idra Zuta que o R. Shimon deixou este mundo e é descrita a sua partida com detalhe.
Porque é que o Idra Zuta foi colocado dentro do Zohar Ha’azinu?
O Ari diz-nos que o R. Shimon teve uma centelha da alma de Moisés. Ele veio ao mundo para revelar o Zohar, de forma a apoiar a Shechina nos dias anteriores à revelação do Mashiach e para nos dar uma ferramenta poderosa de ligação e protecção.
O Zohar e o R. Shimon estão a dirigir-nos para os portões que nos conduzirão a Zer Anpin, a ‘Luz’.”

Moshe e o R. Shimon partilharam uma missão. Mesmo antes de partir, Moshe criou o portão na Torah ao nível de Zer Anpin. O R. Shimon criou um portão paralelo ao nível de Malchut como os setenta Tiqune Zohar.

Moshe abriu a sua canção em Haazinu com “Dai ouvidos, Ó Céus, e eu falarei; e ouça a terra as palavras da minha boca” (Deut.32:1).
O R. Shimon abriu as suas revelações do Idra Zuta com “Eu falarei sozinho. Todos ouvirão as minhas palavras, as de cima e as de baixo”.
O último parágrafo do Zohar Haazinu, mesmo antes do Idra Zuta, diz “Quando Moshe disse ‘Dai ouvidos Ó Céus…’ as palavras tremeram e uma voz disse “Moshe, Moshe porque fazes tremer o mundo inteiro, tu és apenas humano, e por tua causa o mundo treme”. Moshe respondeu, “Porque eu chamo com o nome de YHVH” (Deut.32:3). A partir desse momento, eles permaneceram em silêncio ouvindo as suas palavras.

Como irão ler no Idra Zuta abaixo, o Rabbi Shimon começou as suas revelações com os portões dos céus abertos na presença da Shechinah (o aspecto feminino de YHVH em Malchut אדני) e setenta almas justas do mais elevado nível do Jardim do Eden.

O Tikunei Zohar é a chave para os portões creados para nós por Moshe e o R. Shimon. O Zohar testemunhou isto na secção de Naso “Porque os Israelitas provarão o gosto da Árvore da Vida, que é este livro do Zohar, eles sairão do exílio com misericórdia”.

Leiam o Idra Zuta para se ligarem aos portões celestiais, especialmente no dia de Lag Be’Omer. Quanto mais pessoas usarem a chave do Tikunei Zohar, melhor serão as nossas possibilidades de abrir esses portões e fluir a nossa existência com a luz superior que removerá as trevas do mundo.

Se o leitor chegou até aqui então é uma pessoa interessada. É espiritual e entendedora do valor das ferramentas espirituais. As conversas espirituais são muitas vezes “blá-blá”, mas a ligação às ferramentas espirituais e o facto de nos preocuparmos com os outros são a chave para uma mudança espiritual ao nível pessoal e global.

O projecto Daily Zohar (http://DailyZohar.com) é uma dessas ferramentas. Permite o acesso gratuito dos Setenta Tikunei Zohar a todas as pessoas que desejam abrir os portões e participar numa mudança positiva no mundo. Subscrevam-no para fazer parte dele.

Agora continuamos a seguir a leitura do Idra Zuta, especialmente a parte com tradução e comentários que descrevem o processo de abertura dos portões celestiais.

Zion Nefesh 15 de Iyar, 5769

23. No dia em que o R. Shimon pretendia partir do mundo, ele estava preparando-se (para a sua alma subir) e os amigos juntaram-se em sua casa. Perante ele estava o R. El’azar (seu filho) e o R. Aba (o escriba do Zohar) e os restantes amigos, por isso a casa estava cheia (o Zohar disse antes ‘os amigos juntaram-se’ e agora ‘os restantes amigos’ porque aqueles são os três amigos que deixaram o mundo na grande assembeia).
O R. Shimon levantou os seus olhos e viu qua a casa estava cheia. Chorou e disse: ‘Noutros tempos quando estive doente, o R. Pinchas ben Yair (o sogro do R. Shimon) esteve comigo e enquanto eu escolhia o meu lugar (acima) a minha vida se estendeu até ao dia de hoje. Quando eu regressei o fogo rodeava-me e não se apagava. Ninguém podia vir a mim sem permissão. Agora vejo que o fogo parou e a casa está cheia.
(Todas as grandes almas sobem ao céu com fogo. Normalmente, quando a alma deixa o corpo, as forças impuras tentam ligar-se ao corpo e ‘sugar’ qualquer energia disponível. O fogo protege o corpo e a alma segue directamente o caminho para o seu lugar de repouso nos céus. ‘Repouso’ é um estado espiritual, que não significa aposentado do trabalho. Desde a primeira vez que o R. Shimon supostamente deveria ter deixado o mundo, o fogo esteve sempre presente, fazendo com que apenas pessoas com permissão fossem capazes de se aproximarem dele. Isto para protecção das pessoas de baixo.)

24. Enquanto eles se sentavam, o R. Shimon abriu seus olhos e viu o que viu, e o fogo voltou a rodear a casa. (Desta vez a casa está cheia porque os amigos do mundo de baixo tinham partido e as almas do céu vieram abaixo honrar e escoltar o R. Shimon na sua ascenção ao mundo de cima). Todos sairam excepto o R. El’azar, seu filho, e o R. Aba.
O R. Shimon disse ao R. El’azar, seu filho, “vai lá fora e procura o R. Yitzhak, pois eu fui fiador dele. Diz-lhe para por os seus assuntos em ordem e que venha para o meu lado, meretório é o seu lugar (no céu).

25. O R. Shimon levantou-se e sentou-se e com um sorriso e alegria disse “Onde estão os amigos?” O R. El’azar levantou-se, chamou-os e eles vieram e sentaram-se em frente dele. O R. Shimon elevou as mãos em oração e com alegria (R. Shimon estava a prepara-se para revelar segredos pela primeira vez. Ele levantou-se e elevou as mãos de forma a ligar-se a todas as dez sefirot, e sentou-se para trazê-las para baixo). Ele disse “Aqueles são os amigos que estiveram na casa do Idra (apenas esses amigos que estiveram no Idra Rabba eram merecedores destas novas revelações) são convidados aqui”. Todos sairam. Aqueles que permaneceram foram o R. El’azar, seu filho, o R. Aba, o R. Yehuda, o R. Yossi e o R. Chiya. Enquanto isto decorria, entrou o R. Yitzhak. O R. Shimon disse-lhe “quão meretório é o seu lugar e quanta felicidade é pedida para se lhe juntar nesse dia”.
R. Aba sentou-se atrás do seu ombro e o R. El’azar à frente dele.

26. R. Shimon disse “este é o momento de boa vontade” (no dia da sua partida do mundo, os céus estavam abertos para ele e a Shechina presente. Isto criou um momento especial – tal como no momento do conceito da criação – e o R. Shimon pôde revelar novos segredos) “e eu quero ir para o mundo vindouro sem vergonha. E aqui estão palavras sagradas, que eu nunca tinha revelado até agora. Eu quero revelá-los perante a Shechina, pois não será dito que deixei o mundo em falta. Eles (os segredos) estiveram escondidos no meu coração até este preciso momento de deixar o mundo. (O R. Shimon não poderia revelar estes segredos tão elevados porque tais revelações criariam uma abertura espiritual que o fundiriam com o mundo superior. Nos momentos anteriores a deixar o mundo, a abertura ao mundo espiritual permitiu-lhe revelar tudo o que sabia).

27. Isto é como eu disponho-os para vós. O R. Aba, escreverá, o R. El’azar, meu filho, falará as palavras e os restantes amigos repetirão sem som nos seus corações.
R. Aba levantou-se de trás das suas costas. R. El’azar estava sentado à frente dele. Disse-lhe, Levanta-te meu filho, outro se sentará neste lugar, (R. Shimon pede ao filho para dar o seu lugar a outro. O quem é esse ‘outro’ não é claro, mas é certamente uma alma espacia que veio abaixo para ouvir o R. Shimon no momento dessas grandes revelações. Se o R. Shimon moveu o seu filho da frente dele, deve ser uma alma superior de cima).
R. Shimon cobriu-se (ligado à sua luz circundante) e sentou-se. Abriu e disse (Salmo 115) “Os mortos não louvam ‘יה'” (as duas primeiras letras do Tetragrama, a mais elevada dimensão da Árvore da Vida) e nem todos os que descem para ‘Duma’ (um nível inferor para onde as almas preversas vão depois da morte. As letras são וה e דמ, as duas últimas letras do Tetragrama e דמ, sangue. Os habitantes de Duma são pessoas más que cometeram homicídios). “Os mortos não podem louvar Yah” (repete ele), isso é certo, por se chamarem mortos e o Santo, bendito seja Ele, é chamado vivo e a sua presença está naqueles que são chamados vivos e não naqueles que são chamados mortos. No final deste verso é dito “e não os que descem a Duma”. E todos os que descem a Duma ficarão em Gehinom (o lugar de limpeza da alma). É diferente para os que são chamados vivos porque o Santo, bendito seja Ele, deseja a sua honra.
R. Shimon disse, “Quão diferente é este momento do do Idra (Idra Rabbam quando todos os 10 amigos estavam reunidos), no Idra fomos visitados pelo Santo, bendito seja Ele, e a sua carruagem de anjos, e neste momento (agora na Pequena assembleia, Idra Zuta) O Santo, bendito seja Ele, veio aqui como os justos do Jardim do Eden, o que não aconteceu no Idra (Rabba). O Santo, bendito seja Ele, quer a honra dos justos mais do que a Sua própria honra. (O Santo veio a este Idra com os justos por causa da grande luz revelada por mérito do R. Shimon. Quando os céus se abriram para dar boas vindas ao R. Shimin, a sua luz irradiou através de todos os mundos, de Malchut a Chokhmah. Os justos puderam juntar-se ao estudo deste Idra porque o R. Shimon esteve entre ambos os mundos e eles puderam ligar-se ao mesmo nível.)
Como disse no caso de Yerovam, que estava a oferecer incenso e a adorar ídolos, e o Santo, bendito seja Ele, foi paciente com ele (não o puniu imediatamente), mas quando ele apontou a sua mão a Iddo, o profeta, a sua mão secou, como está escrito (1Reis 13:4) e a sua mão secou. Não está escrito que foi porque ele adorava ídolos, mas porque estendeu a sua mão para ferir Iddo, o profeta. E agora o Santo, bendito seja Ele, quer a honra de todos (os justos do Jardim do Eden) que vieram com ele.

28. Disse ele (R. Shimon), “Aqui está o Rav Hamnunah Saba (uma pessoa Misteriosa que aparece no Zohar para ensinar os amigos e abrir novas perspectivas nos versos da Torah), e rodeando-o estavam setenta justos, vestidos com coroas, cada um deles com luz que irradiava da luz de “Atika Kadisha” (esta luz é a primeira emanação que criou o mundo), a mais oculta de todas, e ele veio feliz para ouvir as palavras que eu irei dizer”. E quando se sentou disse, “Aqui está o R. Pinchas ben Yair connosco”, preparem um lugar para ele, os amigos estavam lá ficaram chocados, levantaram-se e deslocaram-se para se sentarem no lado baixo da casa (distantes da presença do R. Pinchas, pois sabiam que ele vinha de mundos superiores).
O R. El’azar e o R. Aba permaneceram próximo do R. Shimon (R. Shimon precisava de uma ‘âncora’ para o manter neste mundo até terminar os seus ensinamentos. R. Aba estava atrás dele e o R. El’azar à frente dele uma vez que os céus estavam abertos para o R. Shimon, ele poderia ascender a qualquer instante. Foi-lhe dada permissãoi para revelar os segredos de uma forma escondida, apesar de precisar ainda do R. Aba e do R. El’azar. Os amigos tinham medo de ser tomados por “tecnicalidade” e não no seu momento, por isso se deslocaram para trás e para o lado baixo da casa.)
R. Shimon disse, no Idra anterior (Idra Rabba), todos os amigos estavam a falar e eu com eles, e agora eu falarei sozinho. Tudo iluminará às minhas palavras, superiores e inferiores. (R. Shimon, no seu estado actual de início de ascenção, estava a canalizar os segredos como uma dádiva para eles. Deixou de ser um estudo regular e exploração do mundo espiritual, passando a ser pura entrega de luz para todos, incluindo nós numa geração que existe 2000 anos depois). Meritória é a minha partilha. (R. Shimon expressou o seu agradecimento em encapsular a luz que estava a canalizar).

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R. Shimon fez o Tikkun (que significa correcção, estabelecimento ou ponte) para a luz da criação se reconectar a este mundo com os setenta Tikunei Zohar. Por isso ele mereceu ter setenta almas justas do mais elevado nível com ele para escoltá-lo na sua ascensão ao céu. Cada uma das almas representou um dos Tikunei Zohar.
Com isso o R. Shimon está a dizer à nossa geração que ele fez o trabalho para nós. O R. Shimon construiu a ponte e agora podemos atravessá-la para dar boas vindas ao Mashiach. O Zohar tem uma luz tremenda, mas os Setenta Tikunim são a ponte para a redenção final. Neste ponto da partida deste mundo, o R. Shimon revelou-nos o mais profundo segredo e ferramenta para a geração final.

A geração final começou em 1948 EC, com o anúncio do Estado de Israel. Setenta anos depois será 2018 EC ou 5778. O R. Ashlag preparou o Zohar para nós. Ele começou o trabalho de tradução e comentário em 1943 EC, 5 anos antes de 1948 EC, e completou-o em 1953 EC, 10 anos depois. Faleceu em 1954, no ano seguinte. O Estado de Israel nasceu no meio e com a ajuda do seu trabalho. O processo de juntar os filhos de Israel de entre todas as nações começou em 1948. Este foi o primeiro sinal (como é dito nas profecias) da Redenção Final.

No final deste Idra é dito que quando a alma do R. Shimon deixou o seu corpo, ele estava deitado sobre o seu lado direito sorrindo. Ele estava feliz porque sabia que tinha completado o seu trabalho.

Possamos todos nós merecer o dia prometido, hoje, AMEN.

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(A partir daqui começam as revelações do Idra Zuta)

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Tikun 48

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